Lançado um Orkut só para neuróticos
Woody Allen, uma dos maiores especialistas em pequenas obsessões cotidianas. Elas parecem triviais, mas governam nossas vidas.
Finalmente um site para Cacá Rosset chamar de seu. I am a Neurotic é uma espécie de comunidade social, só que voltada para um público muito específico, os neuróticos.
Quer dizer, pelo teor dos textos publicados até agora, está mais para um espaço para portadores de transtornos obsessivos-compulsivos compartilharem suas experiências. Confira por si mesmo:
Toda vez que toco alguma coisa, digo "dot" na minha cabeça . E então tenho que tocá-la novamente e pensar "apagar". Acabo tocando tudo duas vezes. Às vezes consigo fazê-lo três vezes e pensar "dot, dot, dot".
O depoimento seguinte vai por um caminho mais big brother:
Quando eu era criança, achava que era perseguido por um grupo de pessoas com câmeras ocultas. Isso me deixava muito paranóico, em especial quando fazia algo errado, mesmo que estivesse completamente só. Uma vez me escondi debaixo da cama para comer um biscoito que havia afanado. Não tenho a mínima idéia de onde isso vem. Isso desapareceu quando tinha 9 anos.
Quando lemos textos assim, logo disparamos o mecanismo de defesa, classificando os autores em algum rótulo médico. Achamos que não temos nada a ver com eles. Mas atire o primeiro prozac quem não tiver pelo menos uma "pequena" obsessão para confessar. Por exemplo, muitos de nós passamos uma vida inteira nos sentindo perseguidos nos empregos. Ou pelas câmeras ocultas das opiniões alheias.
Woody Allen é um dos maiores especialistas em apontar essas obsessões, no que têm de mais ridículas e engraçadas. Em seus filmes, as pessoas criam tanta tagarelice mental, auto-justificações e medos, desenvolvem tamanha vergonha de viver e ser o que são, que se atrapalham o tempo todo. São improdutivas e infelizes.
É por isso que acredito que ser produtivo tem muito pouco a ver com aprender novas técnicas. Pelo contrario, é um processo de se livrar de obstáculos e manias. Está mais para limpeza do que para upgrade.
Por meio de um contínuo processo de cortar minúsculos hábitos que nos escravizam, podemos derrubar toda a rede de comportamentos e pensamentos que nos tornam lentos, egoístas, paranóicos, medrosos, iludidos e cheio de apegos. Criamos espaços para respirar no meio das obsessões.
Não se trata de melhorar a si mesmo. Nem de pendurar mais uma medalha na farda. Não é o consumismo voltado para o desenvolvimento pessoal. Mas a capacidade de criar inúmeras e contínuas liberações no cotidiano.
Enfim, mas muitos de nós adoramos ter manias. Se é o seu caso, pode compartilhá-las on-line, enviando seu texto em inglês para o I am Neurotic. O problema é que o material passa por uma seleção antes de ser publicado. Não vai ser nada fácil para quem tem problemas de baixa auto-estima. Imagine ser rejeitado por um site de neuróticos.
enviada por eduf
03/09/2008 11:30
Afinal, vale a pena usar o novo navegador do Google?
O Chrome renderiza bem efeitos avançados de CSS 3. Já o Firefox...
Ainda aguenta ler mais um pouco sobre o Chrome, o novo navegador do Google? Então vamos aos fatos:
1. É rápido? Sim. Mas por causa do motor de renderização das páginas, o Webkit, que já está no Safari, da Apple.
2. É estável? Sim, para um programa em fase beta. Todos os testes que fiz revelaram um navegador promissor. Num deles, abri mais de 10 abas e não houve travamentos. A queda de desempenho foi menor do que o esperado. O Chrome revelou um bom uso da memória RAM do computador.
Janela de visualização de códigos: mostrando a matrix sem grandes novidades.
3. Posso acessar bancos? Não. Os plugins java não funcionam. De resto, é sempre arriscado usar navegadores beta para esse tipo de operação. Menos do que usar o Explorer 6. Mas vale esperar alguns meses até que sejam detectados os primeiros e naturais problemas de segurança.
4. O Chrome renderiza bem fontes? Dá para o gasto. Mas, em Windows, o Firefox ainda é melhor. Nos meus testes, fontes como a Georgia, ganharam mais espaçamento entre letras (kerning) e ficaram mais serrilhadas do que no Firefox 3. Designers não vão gostar muito disso.
5. Aceita complementos do Firefox? Não.
6. Entende HTML 5 e CSS 3? Sim. Exibe adequadamente sombras em letras e boxes, cantos arredondados, entre outros recursos usados pelos webdesigners atualmente (veja imagem). Sigo testando outras funcionalidades mais avançadas do HTML 5.
7. E a experiência de usuário? Melhorou pouquíssima coisa.
a) Quando você abre o navegador, aparecem miniaturas clicáveis das últimas páginas que você visitou - um recurso que o Opera tem faz tempo. Seria mais útil se os desenvolvedores do Chrome tivessem copiado a página inicial do Flock, que permite cadastrar canais de vídeo, RSS, entre outras coisas.
b) Os menus de configuração do Chrome são parecidos com os do Explorer 7. Ou seja: ficam agrupados no canto superior direito. Nos testes que fiz, notei que os usuários menos experientes se confundem.
c) A boa idéia foi juntar a barra de endereços com a de buscas. Deixa o visual mais limpo. Mas, na prática, isso já existe faz tempo no Firefox. Você pode digitar qualquer palavra que ele vai procurá-la no sistema de busca padrão do navegador.
O gerenciador de Downloads do Chrome, com uma caixa de buscas e sem popup.
d) O gerenciador de downloads está um pouco mais parecido com o do Opera. E contém uma caixa de busca que permite encontrar arquivos no histórico dos seus downloads. Isso pode ser útil? Só para quem não costuma limpar seus dados pessoais periodicamente.
Enfim. Pelo menos não abre um popup.
8. E as abas, mermão? No Chrome elas ficam acima da barra de endereços. Supostamente, isso indicaria que elas são mais importantes na experiência de usuário. Mas, na prática, é pura perfumaria. Se você quiser ser mais crítico, pode dizer até que o recurso é contra-intuitivo. A barra de endereços continua sendo o controle mais importante do navegador. Ela é que permite acesso às abas. E não o contrário. Assim, nas "regras" de design, o Chrome supostamente teria problemas de hierarquia e confundiria o usuário.
Menus do Chrome, parecidos com os do Internet Explorer 7.
9. É mais simples e "invisível"? Os desenvolvedores anunciaram que tentaram criar um navegador que parecesse invisível para o usuário. Quer dizer, ele deveria experimentar mais os sites e menos o programa.
Na verdade, isso já acontece. A maior parte dos que usam o Internet Explorer 6 nem sabe o que é um navegador. Clica no E Azul e a internet surge.
A grande questão é se seria útil manter os usuários ignorantes. Acho que não. Eles precisam estar minimamente alertas sobre o que fazem on-line. É como dirigir um carro: você não precisa ser mecânico, mas tem que conhecer os sinais de trânsito e saber como operar certos equipamentos em caso de problemas.
Resumindo: o Chrome parece um bom navegador. Mas é conservador. Não inova, não avança. Apenas une recursos já desenvolvidos por outros projetos.
Por enquanto, do ponto de vista de desenvolvedor de web e de usuário, só vejo duas vantagens na criação do navegador:
1. Acelerar a concorrência, para que os outros programas (e o W3C) avancem mais rapidamente.
2. Graças ao incrível poder de marketing do Google, talvez o Internet Explorer 6 possa perder mais e mais fatias de mercado. Quem sabe um dia saia definitivamente dos nossos computadores. Mas isso é uma outra história.
enviada por eduf
01/09/2008 10:53
Coringa e os astronautas da produtividade
Eu adoro a série de posts de Joel Spolsky sobre os astronautas da arquitetura (no caso, de software, não de prédios). Sempre me lembram que também há os astronautas da produtividade, aqueles que tentam ser espertos com tamanho afinco que acabam não fazendo nada de prático.
Pensar demais sobre produtividade pode ser algo muito improdutivo. Lutar, buscar a melhor técnica, o aparelho mais eficiente, o método mais rápido, tudo isso às vezes pode gerar mais tensão, procrastinação e confusão.
Ah, então melhor não ter sistema, certo? Não é bem assim.
Se você assistiu ao Batman Cavaleiro das Trevas, deve se lembrar de um discurso do Coringa para o promotor Harvey Dent. O vilão faz uma espécie de apologia do caos: "Vocês são os planejadores, cheios de esquemas. Eu sou o caos, só reajo ao que aparece".
Sei. Basta ver o assalto do começo do filme para perceber o quanto seus movimentos são friamente calculados. Inclusive é isso que permite que ele seja derrotado sempre.
Caos é uma questão de ponto de vista. Para o Coringa, é representando pelo Batman. Para Gotham, pelo Coringa. Caos é um conceito criado por "esquemeiros" para enquadrar o inesperado em alguma ordem. A vida não se importa com nada disso. Às vezes obedece a padrões, às vezes não. Ela é movimento, criatividade, mutação, forçando sempre readaptações.
Por isso, muitos esquemeiros vivem numa relação tensa e agressiva consigo mesmos. "Preciso ser mais, melhorar, me tornar como fulano ou beltrano". Vivem num mundo de escassez, medo e expectativa. Por outro lado, muitos caóticos acham que são cool, mas, no fundo, também obedecem às mesmas regras, senão pelo menos as ditadas pelos seus próprios hábitos inconscientes.
Não há como fugir da biodegradabilidade das nossa técnicas de produtividade. Elas vão falhar. E sempre vão surgir melhores.
O que precisamos é criar uma certa confiança em nós mesmos e no ambiente. É uma espécie de burrice estratégica, que libera espaço para praticidade. Você sabe que poderia fazer melhor. Sabe que isso até seria desejável. Mas não é preciso provar nada a ninguém. É a hora da rapidez e da precisão. De água de torneira, não Perrier.
Só assim conseguimos eliminar o excesso de teorias e de acessórios. Partimos para o que é básico e direto. Deixamos de ser agressivos conosco.
É claro que isso nem sempre vai funcionar. E não devemos transformar a teoria em inimiga. Pelo contrário. A idéia é nos livrar do comportamento astronauta, que voa tão alto que acaba num ambiente sem ar.
enviada por eduf
30/08/2008 11:53
Homens em obras
O Blig está passando por múltiplos conflitos de banco de dados. As atualizações do site podem ser prejudicadas. Assim que tudo estiver ok, voltaremos ao ritmo normal do Magaiver.
enviada por eduf
28/08/2008 16:20
Neuromarketing: como enganar o cérebro e fazer as piores com
Durante muitos anos alguns economistas acreditaram que fazer negócios é um processo até certo ponto racional. Ao longo dos anos, a economia de mercado mostrou que não é bem assim. Pelo menos é o que acha Dan Ariely, autor de Previsivelmente Irracional. Boa parte das nossas compras são movidas por lógicas meio tortas, o que ele demonstra no livro, por meio de testes de campo bastantes interessantes, como o seguinte.
Pesquisadores fizeram duas ofertas de assinaturas da revista The Economist para grupos diferentes de pessoas, mas com características parecidas.
Oferta A:
US$59 - Assinatura só para Internet (68 pessoas escolheram a opção).
US$125 - Assinatura para Internet e revista impressa (32 escolheram)
Retorno previsto - $8,012
Oferta B:
US$59 - Assinatura só para Internet (16 escolheram)
US$125 - Assinatura só para a revista impressa (0 escolheu)
US$125 - Assinatura para Internet e revista impressa (84 escolheram)
Retorno previsto - $11,444
É o mesmo preço. Mas, segundo os pesquisadores, a segunda opção da oferta B serviu para captar a atenção das pessoas como uma isca.
Esse tipo de assunto é bem sério e deu origem a uma nova disciplina, chamada de neuromarketing. Como não poderia deixar de ser, ela é cheia de subtemas. Um delas é exatamente o Decoy Marketing (algo como "marketing de isca"). Em seu blog, o consultor Roger Dooley fala mais sobre o caso acima. Para ele, nossos cérebros não são bons em lidar com valores absolutos, gostam de relatividades. Por isso podem ser enganados enquanto tentam tirar vantagem de uma situação.
Os economistas da época de Adam Smith talvez dissessem que isso ainda é racionalidade. O consumidor tenta, para usar um jargão, "maximizar seu prazer" e eliminar o que parece ser prejuízo.
Não sei porque, mas isso me lembra as ofertas de planos de celular. É preciso ser bem sistemático para calcular toda aquela conversa dos diferentes minutos e tipos de ligação disponíveis, não?
De qualquer forma, até para economizar dinheiro, vale relembrar a importância de estudar a mente e as maneiras pelas quais ela frequentemente engana a si mesma.
enviada por eduf
27/08/2008 14:42
Quer usar a web 3.0, agora e sem esforço? Fale com a Mozilla
Ubiquity for Firefox from Aza Raskin on Vimeo.
O Mozilla Labs ataca novamente. Acaba de lançar uma extensão para Firefox chamada Ubiquity, que promete tornar qualquer pessoa um criador de mashups profissionais. Traduzindo: imagine que você está no Gmail e quer convidar um amigo para almoçar no restaurante Halim (meu favorito, em SP). O que faria? Selecionaria a palavra Halim, procuraria o endereço no Google e, se fosse muito prestativo, encontraria um mapa em algum serviço on-line. Enfim, teria que, no mínimo, abrir 3 abas do navegador e gastar tempo juntando informações. A idéia da Ubiquity, baseada no Enso, da Humanized, é colocar todas essas informações num só lugar, à distância de uma linha de digitação. Você digita Option + Espaço para abir a extensão, depois escreve "map nome da rua" e tudo o que você precisa aparece de uma só vez. Depois é só arrastar a informação para o e-mail. Só vendo para crer? Assista ao vídeo acima. Ainda que toda essa conversa seja voltada a quem domina o inglês, já é, sem dúvida, um grande avanço na história dos navegadores.
enviada por eduf
27/08/2008 11:19
Quando temos vontade de pagar por programas
Um costume do mundo Apple: promoções de pequenos programas.
Depois que voltei a usar computadores Apple, meu comportamento mudou muito em relação aos softwares. Agora tenho certo prazer em pagar por alguns programas. Sinto-me apoiando empresas pequenas. Incentivando-as a continuar com bons produtos.
Parece algo um tanto idiota de se dizer, mas é verdade. Empresas como Panic, Macromates, entre outras, lançam aplicativos bem desenhados, inteligentes, simples e baratos. Você começa a usa-los e QUER pagar os US$ 50 cobrados pelos produtos. Parece justo, não uma imposição.
Quando estava no Windows, pode até ser que existissem softwares assim (nenhum me vem à mente agora). Mas eu não tinha esse desejo natural de patrocinar um bom trabalho. No máximo, colaborava com projetos open source.
A culpa seria do sistema operacional? Não exatamente. Tem mais a ver com mentalidade de design e de desenvolvimento de produtos.
Boa parte dos aplicativos para Mac OS X se baseia sim na idéia de "menos é mais". Mas vai além, afinal, às vezes, a experiência de usuário pode ser até mais importante do que a robustez técnica ou até mesmo a mera eficiência do produto.
Erros se tornam até toleráveis quando parecem divertidos, humanos, inteligentes (vide o Twitter, que é uma porcaria, mas poucos largam). Eficiência fria e tecnicista não é percebida, não aparenta agregar valor.
Nada me afasta mais do que a usabilidade deselegante. Não estou falando de programas "feios", mas de coisas que parecem mal-feitas, sem atenção e cuidado. Ou interfaces com um ar de "tiozão". Você se lembra do cachorro que aparece na busca do Windows XP? Esse é o princípio da humanização de interfaces aplicado de maneira um tanto joselita, forçada.
Ainda não vejo porque devemos aceitar pagar por pacotões de software inflados e cheios de coisas que não usamos - e que consomem recursos do micro. Isso vale pra Mac ou PC. Aplicativos simples, funcionais e diretos me parecem mais passíveis de "engajamento". Ou seja: de receber pagamentos por convicção.
(Se bem que ainda prefiro open source).
enviada por eduf
26/08/2008 14:06
[Inferno Digital] 10 pecados mortais ao usar o e-mail
Zé do Caixão: "Como você acha que ganhei essas unhas? Digitando e-mails infernais."
Não sei se os religiosos já lhe contaram, mas existe um inferno digital. Tome cuidado. Se você for para lá, será constantemente torturado por spammers de mil cabeças. Cada vez que você desviar os olhos do monitor, será marcado a ferro em brasa com o símbolo "@". Será cercado de vampiros, que sugarão seu tempo e energia vital. Enforcado por fios de mouses. Conviverá com tendinites avassaladoras. Os teclados serão feitos de lâminas afiadas e que emitirão descargas elétricas. As cadeiras serão de espinhos e os assentos embebidos em óleo fervente.
Aqui está a lista de pecados que vão condená-lo à danação eterna nos campos de pixels de lava. Começando pelos e-mails:
1. Enviar mensagens sem preencher o campo Assunto. Ou com títulos genéricos, que informam absolutamente nada sobre o conteúdo do texto. Algo como "Leia", "importante".
2. Escrever para perguntar coisas óbvias ou que poderiam ser facilmente encontradas no Google. Por exemplo: sugar tempo do colega de trabalho questionando "o tamanho do documento é Carta ou A4?", quando você poderia abrir o arquivo e verificar por si mesmo.
3. Encaminhar e-mails com cópia aberta para seus contatos. Isto é: em vez de inserir os endereços no campo BCC (cópia oculta), você os coloca no campo "Para". Isso vai fazer com que todos os seus amigos recebam mensagens indesejadas, como se tivessem se cadastrado involuntariamente numa lista de e-mails. Além de colocar em risco a privacidade de gente que supostamente confia em você.
4. Enviar arquivos PPS (Power Point). Assim, pode inserir vírus na caixa postal dos outros, fazê-los esperar vários minutos para carregar e-mails (já que haverá um enorme PPS baixando no meio do caminho) e irritá-los ao máximo.
5. Encaminhar piadas e correntes. Em especial aquelas que já foram reenviadas tantas vezes que o leitor precisa rolar a página por vários segundos para poder finalmente chegar ao texto.
6. Acreditar em todas as mensagens que dizem que há vírus em seus programas. Se quiser, use este modelo de e-mail: "Por favor, não abra nada que eu mandar. Estou com vírus no MSN!" Combine-o com o item 3 e já poderá sentir o bafo quente do inferno.
7. Escrever e-mails longos, vagos, cheios de auto-justificativas e conversa mole, tudo num só parágrafo, de preferência escrito sem pontuação e em miguxês.
8. Faça reuniões por e-mail, que seriam mais produtivas se realizadas pessoalmente. Inclua um funcionário que só precisaria ser chamado no final do processo. E no meio do décimo parágrafo da vigésima mensagem, diga, afinal, o que ele tem que fazer. Mas esconda bem a informação. A idéia aqui é confundir o colega ao máximo. Faça com que ele tenha de ler 40 e-mails para chegar num pedido de trabalho que poderia ser feito de modo claro e direto, numa só linha de texto.
9. Envie e-mails sem pensar direito no assunto. Depois outro para cancelar o que disse anteriormente.
10. Envie a mensagem e ligue 2 minutos depois para saber se a pessoa a recebeu. Faça perguntas rapidamente, pressupondo que a pessoa tem um conhecimento profundo sobre o texto.
Como diria Galvão Bueno, "é, amigo". Com todos esses procedimentos, é inferno na certa. Vá fazendo a reserva.
enviada por eduf
25/08/2008 16:40
Trabalhando a partir de qualquer lugar
Meu escritório é no deserto.
Uma repórter de um site sobre tecnologia me escreveu pedindo uma entrevista sobre aquilo que está ficando conhecido como "nomadismo digital". Publico as respostas que enviei por e-mail, com algumas observações complementares e exclusivas para você, leitor fiel desta humilde choupana na web.
Definições
Em vez de nomadismo digital, prefiro a expressão trabalho remoto, pois não se fixa apenas no uso de tecnologias digitais. E não dá a idéia de que esse tipo de atividade seja nova. É até o contrário: se descartarmos o trabalho familiar no feudalismo, o nosso tipo de sedentarismo profissional é que existe há bem pouco tempo na História.
Vamos às perguntas:
Na sua opinião, quais são as vantagens e as desvantagens para o profissional do uso das tecnologias para o trabalho remoto?
Vantagens:
1. Livrar-se da escravidão de estar preso a um horário fixo e um espaço físico de trabalho.
2. Livrar-se de trânsito e de perder tempo no escritório só para cumprir regras.
Desvantagens:
1. Se o profissional não souber impor limites, transforma sua vida inteira num escritório.
2. No Brasil, há várias dificuldades tecnológicas fora dos grandes centros. Para ser mais específico, fora de RJ e SP. Celulares que não pegam, lanhouses mantidas por leigos, redes wi-fi mal configuradas, essas coisas. Isso deve ser incluído nos custos de trabalho.
Qual o limite para os nômades digitais não se tornarem escravos do trabalho?
O limites é a negociação. Isso significa:
1. Aprender a dizer não para clientes.
2. Saber dizer sim de modo realista, eficiente e organizado.
Quem sai ganhando com o trabalho remoto?
Empresa e profissional. Mas nas seguintes condições:
1. Se o profissional for criativo e organizado.
2. Se a empresa entender que também há custos estruturais no trabalho remoto.
Ou seja: ainda há impostos, despesas de transporte, custos dos diferentes níveis de tecnologia das cidades e do mundo etc. Eles são pagos pelo profissional, mas devem ser repassados no custo.
Resumindo: trabalho remoto não é liquidação, mas pode sim ser mais barato para ambos os lados.
Nômades podem trabalhar mais que profissionais dentro de empresas?
Só posso responder por mim. Trabalho mais, só que em menos tempo. Em vez de enrolar 8 horas por dia, concentro minha produtividade em 2, 3 horas (E ainda sou desorganizado e procrastinador. Perco muito tempo com feeds completamente inúteis sobre mercado de tecnologia).
Aliás, essa mentalidade de medir o trabalho em horas, como se fôssemos uma planilha do Excel, me irrita profundamente.
Geralmente meus clientes precisam de atenção e resultados. Raramente isso significa tempo a mais de trabalho.
Porém, muitos deles ACHAM que precisam de mais tempo. Quando são abertos para discussão, conto-lhes a verdade. Quando não são, evito fazer o que muita gente bem-intencionada faz: gastar o tempo do cliente em procrastinação.
Detesto esse teatro. Mas há gente que não confia em trabalho rápido e efetivo. Simplesmente confiam mais na burocracia do que na efetividade. São clientes escravos da mentalidade da ocupação: você precisa parecer que está dando duro, ainda que só esteja jogando os recursos do contratante no lixo.
Quando o cliente REALMENTE precisa de mais tempo, fico feliz em lhe oferecer. Não é uma luta: eu contra meu inimigo, o empregador. É uma parceria. Se for uma relação de guerra, é melhor pedir demissão ou reavaliar o trabalho.
Muitas vezes, nosso maior carrasco é a insegurança profissional. Ter que provar algo ilusório para alguém ou para si mesmo, só porque você tem medo de tudo e de todos à sua volta. Ou porque quer criar uma imagem de "rei do gado" em alguma área. E isso acontece com nômades ou qualquer outro tipo de profissionais.
Assim, não quero ser o melhor, nem o pior, nem o medíocre. Quero viver além dessas amarras conceituais inúteis. Trabalho sustentável.
Qual o seu conselho para aqueles que já começaram a sentir os sintomas do nomadismo digital? Ou seja, já começaram a trabalhar da rua, do carro, das cafeterias e shoppings com Wi-Fi, etc?
O sintoma não está em trabalhar em ambientes como esse. O sintoma é fazê-lo irritado, odiando a vida.
Semana passada, por exemplo, trabalhei 2 horas num café de cinema em São Paulo, usando banda larga 3G. Na hora do filme, fui assisti-lo. Depois retomei minhas tarefas. Terminadas, fui jantar com amigos. Poderia dizer a mim mesmo: "como sou miserável, trabalhando aqui". Mas a verdade é que estava lá para gastar menos tempo de condução entre as diversões que eu havia programado para depois.
O segredo é: quando for trabalhar, trabalhe. Quando for se divertir, divirta-se. Parece simples e óbvio, mas pouquíssima gente consegue. Geralmente estamos no meio do expediente com a cabeça no jogo de futebol ou no estádio pensando no trabalho. Assim, só podemos criar irritação e frustração.
enviada por eduf
21/08/2008 13:48
Como definir quais são minhas prioridades?
Atualmente, é cada vez mais difícil conseguir definir prioridades. Tendemos a lotar nossas caixas postais de e-mails desnecessários, assinar mais feeds do que podemos ler e gastar dinheiro com serviços que não usamos. O resultado é que nossas vidas às vezes se tornam "obesas", cheias de rituais que consomem tempo e energia, criando uma sensação de sobrecarga e tédio.
Nessas horas, há quem recomende aplicar a velha Lei de Pareto (imagem acima). Atribui-se ao economista italiano a constatação de que 80% dos resultados das nossas ações viriam de 20% das causas. Isso se aplicaria a muitos fenômenos. Por exemplo: 80% da sua renda viria de apenas 20% dos seus clientes. E por aí vai. A idéia, então, é detectar quais são as coisas que realmente importam e cortar os excessos.
Mas isso não é assim tão simples. Olhe para sua rotina de trabalho. Você consegue identificar rapidamente quais são os 20% que fazem a diferença? Provavelmente não.
Em termos simples, você pode definir prioridades se baseando em contextos: prazos, energia disponível para realizar as tarefas e recursos disponíveis. Exemplo: digamos que você precise fazer uma viagem internacional, mas só tem um jegue: a prioridade é fazer o possível até chegar a um aeroporto. Você não vai poder transportar um sofá de couro francês em cima do animal, certo? Então, já sabe o que descartar.
Mas há um outro nível que não é tão prático e claro: o dos objetivos a longo prazo.
Desde o século 18, somos treinados a acreditar que mais significa melhor. Fomos tão acostumados a acumular coisas, técnicas, sonhos e estratégias que tendemos a enxergar todos os fenômenos como fazendo parte de um currículo de "desenvolvimento pessoal" e de objetivos a perseguir.
E há mais. Depois dos anos 60 e 70, começamos um outro movimento, aparentemente contrário, que diz que menos é mais. Então produzimos outra busca, outra ocupação: a luta para simplificar a vida. E nos complicamos ainda mais. Aderimos a estilos de comportamento, atividades físicas e até religiosas que nos levam a crer que, afinal, encontramos nosso foco, nossa tranquilidade, "paz interior". Mas algo sempre nos diz que nos enganamos, que somos uma sucessão de personagens mal construídos.
Isso surge porque somos viciados em estar engajados em buscas. Tanto que se eu começar a sugerir que devemos abandonar essa atitude, provavelmente você ficará perturbado. Vai acreditar que proponho vazio, inatividade, acomodação, morte em vida. Nossos sinais de alerta disparam. Como assim, viver sem um objetivo?
Não é isso que estou sugerindo. Nem apatia, nem luta. Aliás, não estou sugerindo nada. Este é um mero exercício. Permita-se questionar.
Imagine que você não tivesse qualquer batalha para enfrentar. Como seria? O que faria? Será mesmo que se tornaria um vegetal, inútil, apático? Ou será que possui qualidades intrínsecas que escapam à sua consciência agora, exatamente porque está muito ocupado em tentar ser outra pessoa, em provar algo?
Por isso, sugiro um outro exercício. Para descobrir quais são os 20% significativos das suas atividades, tente parar sua rotina por algum tempo. Uma semana, 2 dias, o quanto puder. Não se trata de férias, de substituir a agenda de trabalho pela da agência de turismo. Fique um tempo dedicado somente às obrigações básicas da sua vida e veja o que acontece.
"Mas o que vou fazer?" Não sei. O que tiver vontade. Apenas faça-o conscientemente. Observe-se. Não tente apenas se ocupar. Você vai se descobrir viciado em TV, e-mails, notícias, comida, conselhos, sabe-se lá o quê. Pode inclusive desejar fortemente que a confusão da segunda-feira volte.
Assim, sem muito esforço, vai começar a enxergar o que é prioritário para manter sua estrutura emocional sadia. E principalmente quais são os obstáculos à sua tranquilidade. Talvez, a partir daí, os 20% vão começar a dar as caras. Mas não se iluda: isso é só o começo do processo.
enviada por eduf
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